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Tião Três Blusas e a Morte
13-05-2009
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O PILOTO X N.o 45 (ANO 2) |
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“Deitado em seu leito de morte, Salim chama seu filho mais velho e diz:
- Filho, sabe aquele Ford 1929 que está lá na garagem?? Ele era do meu avô, foi passado para meu pai, depois para mim e agora chegou sua vez... Quer comprar???”
Esta piada, da qual aliás gosto muito, mostra em suas entrelinhas uma ironia. O que uma pessoa, à beira da morte, vai fazer com dinheiro? Caixão não tem gaveta, a morte não aceita cartão de crédito e nem mesmo dinheiro em cash.
Mesmo assim, não é difícil encontrar pessoas agindo dessa forma. O dinheiro vem sempre em primeiro lugar, sobrepondo todos os demais valores.
Outro dia acompanhei meu amigo Tião Três Blusas a um enterro em Belo Horizonte. Segundo Tião, o morto, um rico colecionador de carros e cliente seu, era tão rabugento que provavelmente ninguém iria ao seu enterro.
Dito e feito. O defunto quase que teve que ir para o cemitério sozinho, pois havia pouquíssimas pessoas para empurrar o caixão.
Ao ver a cena, Tião Três Blusas fez um comentário interessante a respeito da morte.
“A morte é uma justiceira. Não existe justiça na Terra. Não sabemos se existe justiça no céu. Sequer sabemos se existe céu. A única justiça que temos é a da morte, que iguala a todos na insignificância da inexistência...”
Um abraço do Piloto X. Paz.
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© Sandro Mendes
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